Sol de outubro

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Ó sol de outubro, que paz me dás?
Senão sermão de um capataz,
Que manda e nunca olha pra trás,
E crê que o mundo é capaz.
De dizer, de fazer, de prometer,
O que não pode acontecer,
Sem norte, nem honra, o poder,
Que te faz só envaidecer.
Mas se a razão se perder,
Ainda hei-de-me erguer,
Com sangue nos olhos, remeter,
Que o povo há-de renascer.
Nem ferro, nem roda há de parar,
esta vivência a pulsar,
em que todos vão se enganar,
e sem alguém pra os lembrar.
